Sobre Merchandising da gratidão e George Clooney

Sobre Merchandising da gratidão e George Clooney

Lá vai a VITO falar de temas polêmicos. A verdade é que aqui gostamos muito de refletir sobre os temas e assuntos que fazem parte da vida cotidiana para entender o que faz sentido e buscar jeitos de se viver melhor. 


Quando chega a época do fim de ano, são ciclos que se encerram, e boa parte das religiões têm algum ritual de juntar os chegados, muitas vezes a família, amigos, a turma de firma e por aí vai.


Dentro dessa lógica, é normal os posts em redes sociais exaltarem a gratidão de alguma forma, o que faz todo sentido, ainda mais nessa época do ano em que repensamos sobre tudo que aconteceu e tentamos agradecer quem fez o nosso ano de alguma forma melhor.


De um outro lado, muita gente acha gratidão virou um termo vazio, usado como um termo sem muito significado, justamente porque foi usado de tantas formas que se perdeu o elo entre o sentimento e o termo.


É nesse contexto que queria trazer uma história do George Clooney. Alguns anos atrás, refletindo sobre sua vida e pessoas do seu círculo, Clooney se pegou pensando sobre isso olhando para um mapa: “olha os lugares que eu tive oportunidade de ir e as coisas que tive a oportunidade ver por conta delas, como retribuir isso?”.


“Eu tava morando no sofá de um deles, um outro me emprestou dinheiro, me ajudaram em todos os momentos que eu precisei” - pensou o ator, produtor e empreendedor que vendeu sua marca de tequila por 1 bilhão de dólares em 2017 para a multinacional Diageo.


Bom, um certo dia, ele chamou 14 amigos para um jantar em casa e, a certo momento, foi chamando um a um em um quarto. Dentro desse quarto tinham 14 malas de viagem, cada uma com um milhão de dólares dentro.


A história é muito boa, acaba trazendo a reflexão sobre como retribuir gente que nos apoiou e suportou em momentos difíceis. Mas o grande ponto dessa história é como não houve nenhum marketing em cima disso. Não houve post, stories, reels, entrevista, nada. A história vazou para a imprensa por uma das pessoas que recebeu a tal mala de 1 milhão de dólares. E aí foram conversar e entender com o George Clooney se a história era verdadeira e ele acabou dando confirmando.


Essa história parece caber dentro de um conceito que resistiu a muitos séculos e hoje tem muita gente lendo e se interessando, que é o estoicismo. Existe uma ideia dos estóicos que diz o seguinte: virtude é precisamente aquilo que não mostramos.


Ideia que também está na bíblia em Mateus 6:1 - “tenha cuidado para não praticar sua gratidão na frente dos outros para ser visto por eles. Se fizer isso, você não terá recompensa de Deus no céu”.

Com a internet expondo tantas causas nobres e projetos legais para serem apoiados Brasil e mundo afora, não é o certo isso ser divulgado? A questão parece ser mais simples do que parece. 


A diferença pode estar naquele vendedor de carro usado que realmente está repassando uma pechincha daquele vendedor que está repassando um carro micado.  


Só você pode dizer se o carro que você está repassando é uma pechincha ou um carro usado, da mesma forma que só você pode saber se a gratidão que você sinaliza na rede social ao público é um reflexo da pessoa que você é no dia a dia com as pessoas que participam da sua vida ou se é uma projeção para ganhar status e apreciação.


Seja como for, poder ter a clareza mental e poder dizer ou fazer algo às pessoas que estiveram lá por você de alguma forma sem se preocupar com a repercussão disso parece ser algo muito maior e que afeta o nosso ânimo e entusiasmo para começar um novo ano, um novo ciclo. Esse sentimento só você, o George Clooney e os amigos dele vão saber o tamanho.



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